21 de dezembro de 2012

Ontem

Na mesa a xícara de café solitária
maço de cigarros em mãos
e a sensação de que o dia nunca vai acabar
notas mentais recheadas de saudade
com gosto de quero mais. 
o caos lá fora é passageiro
ou pelo menos é essa a impressão que quero ter. 
o movimento interrupto
eu como um robô sem controle 
procurando cumprir minha missão diária
de me achar e de me perder
de ter alguns minutos de lambuja para chorar
e dizer o quanto eu desteto minha vida.
logo depois, sorrir e achar que tudo é um absurdo

28 de outubro de 2012

Lágrimas de um palhaço

Do teatro, a cortina fechava-se, o sorriso dava lugar a lágrimas
as pessoas caminhavam para suas casas, deslumbradas
e ele num canto qualquer, esperava, esperava
preencher o vazio, o silêncio da alma
e a madrugada fria, pesava sobre os ombros.


23 de outubro de 2012

Clarice

Ela tinha os ombros estreitos
Vivia com papel, lápis e um sonho desfeito
Sempre com o olhar perdido
E em alerta com qualquer ruido

Um jeito tímido e penoso
Mas um sorriso escancarado e dengoso
Ela tinha um jeito manso de ser
De gargalhar até doer

Tinha saudade de aurora
Chorava as magoas, contava as horas
Reclamava com a lua, pedia consolo
Pra ver se o sol despontava de novo

Escrevia versos e colecionava sonhos
Amava as chuvas de inverno
Fazia planos pra quando crescer
Ganhar o mundo e não se perder




18 de setembro de 2012

Nascente Madrugada


Nascente madrugada,
Mágico anseio paira
Infinita beleza,
Branca e preta,
Lúdica e lunática,
Á vontade...

Regente, domina o tempo,
Para os ponteiros,
Prolonga este momento!
Remediadas saudades;
gigantes doses de esperança!
Enquanto o peito arfante persistir,
Tu irás ler-me, e serás eu em ti.




19 de agosto de 2012

O amor

O amor é somente ilusão até que duas almas se encontrem e entrem em comunhão. A saudade é sentimento que sufoca, a solidão vira companheira nas horas vagas tal aparência de infinitas. Perdemos tanto tempo pensando que somos imortais, até que nossa unica saída é cair na realidade e perceber que a vida é curta e rara. Alguns amores são dolorosos, mas é com eles que a gente aprende a viver, com essas experiencias cruéis e venenosas, e essas alegrias inexplicáveis e belas, a vida é como uma montanha russa, cheia de incertezas e decepções, mas sempre com novas surpresas e esperanças renovadas.

3 de julho de 2012

Procura

Nós de maneiras muitas vezes absurdas e tortuosas, sempre estamos procurando felicidade e amor. 
A procura de alguém que caiba nos nossos sonhos, nos pensamentos. 
Alguém pra compartilhar momentos de alegria, mas também de tristeza. 
Alguém pra ligar de madrugada, confessar nossos medos, desejos, anseios. 
Alguém pra nos fazer acreditar que existe sempre uma nova razão pra continuar. 
Alguém que nos de a mão, e prometa caminhar ao nosso lado 
em qualquer momento, em qualquer lugar, para qualquer lugar.

1 de julho de 2012

Desilusão

Decepções amargas
Pura sim
Desilusão
No vão do amor que se escondeu
Deixou apenas
No peito meu
Angustia e solidão
                              
Vagando entre as esquinas
Ruas movimentadas
Nessa chuva que não cessa
Não descansa
Não tem pressa
De esperar um novo amor

14 de junho de 2012

Insensatez

Tem gente que não tem dificuldade nenhuma 
Em excluir as pessoas de suas vidas
Apagam o passado como se fosse escrito com um mero lápis. 

12 de junho de 2012

Não se afobe

Solta as garras desse teu coração
Pequena não se afobe não
Escancara essas tuas magoas
Faz delas poema, canção
Seja como for pequena
Não se afobe não
Teus anseios
Teus desejos
Devaneios
Nada será em vão
Beija-me com carinho
Acolha minha face
Abrace-me sem pudor
Que eu lhe prometo que nosso amor
Jamais será como uma chuva repentina de verão
Não se afobe não


27 de maio de 2012

Seção cinematografica

Talvez eu me arrependa, Helena, mas agora preciso descobrir o que sobrou de mim mesma, não te arrastar para uma vida de comparações. Você merece coisa melhor do que alguém acampado numa encruzilhada tentando enxergar o caminho, qualquer caminho! O amor exige muito e eu tenho muito pouco para dar, nem sei se com esse pouco se faz vida, as emoções escorrem, nada penetra. Talvez eu me arrependa Helena, talvez. 
Como esquecer, de Malu Martinho