23 de outubro de 2012

Clarice

Ela tinha os ombros estreitos
Vivia com papel, lápis e um sonho desfeito
Sempre com o olhar perdido
E em alerta com qualquer ruido

Um jeito tímido e penoso
Mas um sorriso escancarado e dengoso
Ela tinha um jeito manso de ser
De gargalhar até doer

Tinha saudade de aurora
Chorava as magoas, contava as horas
Reclamava com a lua, pedia consolo
Pra ver se o sol despontava de novo

Escrevia versos e colecionava sonhos
Amava as chuvas de inverno
Fazia planos pra quando crescer
Ganhar o mundo e não se perder