3 de dezembro de 2013

Amarga Esperança


Rabiscou versos pelo ar
No meio da fumaça, um  na garganta.
Serviu o café, mesa vazia.
Cantarolava Edith Piaf 
E non… je ne regrette rien 
E não, eu não lamento nada.
Vinil empoeirado
E uma chuva incessante lá fora.
Melancolia de um quarto vazio,
Abrigando paixões que alucinam
Numa curta e amarga esperança.

Stormy Weather


Sentou num bar
Embriagado de saudade
Fumaça de cigarro
Tocava Billie Holiday
Como uma cena
De um filme muito antigo.

Oompa Radar


Pegue seus ingressos
O espetáculo começa
Sem garantia, utopias a destilar
O som vem de fora
Aquecendo os corações
Palhaços, trapezistas
Mágicos e equilibristas
A voz vem de fora
E ressoa dentro de nós 
Voz desconhecida
Doce e angustiada
Dia estranho, sem formas
Sem cores, só som.

Faróis


Do olhar translúcido como água
Das pupilas dilatadas, febris 
E dos poros obstruídos
Os pássaros desviam do caos
A folha ainda seca voa pelo ar
Sem perfumes, sem cantos
Só resquício de melancolia 
O mar contido, submerso em mistérios
Súbito inverno cruzado, orvalho
Fantasmas colossais em meio a tíbia luz
Rígidos, frêmito feroz 
Sutil e estranha é a imagem do passado.

Sit down, Stand up


Ele caminhou
Como uma criança indefesa
Entre uma porta e outra
Resquícios do amanhã
Improvável
Navegar até a lua
Condenado!
Corria em direção contraria
Menino tolo!
Centralizado e alto
As variáveis e os padrões
Terríveis formas
O teto pendurava folhas mortas
O teto desaba em dois
O sorriso de nylon
O gosto amargo da derrota
A linha branca
Mais uma linha branca
Outra linha se foi
Ou o ópio
Prazer ilusório, efêmero
E alcança o paraíso
Extasiado, exaltação, excitação
Depois o delírio consequente
O intimo e oco
O arrependimento e o desespero
A angustia e solidão
Sussurrava palavras incoerentes
O que sou?
Quem sou?
Tempos amargos
O ultimo andar
A luz no fim do túnel
Condenado!
Arrasta-se até o quarto
Debruça na janela
O ultimo suspiro
Ande pelo portal do inferno
A qualquer hora
Os pingos da chuva
São só os pingos da chuva.

Se Don Juan Fosse Mulher (Bardot)


A cólera
E a compreensão
A vingança
E a sedução
O declínio
E a destruição.

Despertar


Dormir dormir
Talvez sonhar
Como segredos
Tudo a desvendar
Dormir, dormir
Infinito
Eu grito, tento, repito
Dormir dormir
Talvez sonhar
Medito
A ilusão do acordar
Dormir dormir
Talvez sonhar.

Drão


Como se nada visse
Tão raso e ileso
Cotidiano, mesmo verso
Com paixão
Semente de ilusão
Toca a canção drão
É a voz de caetano veloso.

Temporal


Espaço
Penso e invento
Descalço
O intimo e secreto
O contexto
E o sem nexo.

Insaciavel


O copo de vinho
A insaciável sede
Embriagando corações
E tragando inúmeras possibilidades,
Como um cigarro
Reluzente ou incompreendido
Range, tange
Transborda
Tudo dentro de mim é como sinfonia.

Efêmera


Amor é sorte
Paixão é efêmera
Geralmente não segue a razão
É instinto, vem do coração
Saudade é doença
E eu eterna adoecida
Ás vezes é surpresa
Esses encontros da vida.

Som E Fúria


Som e fúria
Desejo e sensibilidade
Noite escura
Saciando o prazer
Corpo e mente 
Som e fúria
Calmaria e intensidade
Sem privar qualquer vontade
Som e fúria
Bocas úmidas e almas unidas
Fusão de corpos
Irradiando corações.

Em Silêncio


O sol desponta por detrás 
Das montanhas cinzentas
São três palavras
São três sussurros 
Somente luz
Somente som
E tudo é como o vento.

Rascunho


Uma dose de saudade
Um trago de cigarro
Não há chuva incessante 
Só fumaça entre os dedos
Um risco, um rabisco
Pairando no ar.  

Som Do Silêncio


Olhou através da pequena janela
Um sopro profundo,
Mais profundo que o mar
Sol não iluminava o quarto,
Ar aos pulmões, 
Sorrisos descontraidos
Lá fora só existia o som do silêncio.  

Amar é um elo

Amar é um elo
Azul, verde
Vermelho ou amarelo.
Amar é um elo
Intempestivo ou sereno
Amar é um elo
Sorte de quem tem
Como motivo do sorriso no fim do dia
Alguém.

Reflexo

Tem a alma delicada
Qualquer sorriso desperta
Encanta
Como a beleza da água
Do mar
Raio do sol,
Do vento, do ar.
A sutileza de uma voz
Que está em todo lugar.

Lampejo


Há outro mundo
Deve haver
Outro melhor 
Onde a saudade é só um lampejo
Há outro mundo
Deve haver
Onde as horas não se arrastam
Nem passam como o vento
Tão fugaz.

Contentamento

Mares diversos
Nessa noite tão fugaz
E eu mergulhada em versos
Sempre a te imaginar
Felicidade aqui reina
Pelo encanto desse seu amor.

Horizonte


Sem rumo, sem ar
Só mar e céu azul.
O sabor de uma vida doce
Do horizonte ao pôr-do-sol do sul.

Silenciar Da Noite


Ligue o rádio
Feche os olhos
A tempestade se aproxima.
Não tema
O acolher e o encanto de todo esse amor,
O silenciar da noite,
Nem as luzes ofuscantes na cidade
Que era tão escura.

O Infinito Do Pensar


Estabilidade emocional
Paranoias, regar as plantas, cuidar dos animais.
Dias longos ou monótonos, felizes ou obscuros
Manter a calma. 
Paciência, silencio, carros por todos os lados,
Um rio acima, uma rima em baixo.
O pássaro ainda voa, liberdade
Sossego, dias longos, curtos e imprevisíveis.
Beber menos, reclamar menos, relacionamentos melhores
Um novo dia, e mais um dia e mais outro dia.
Não existe o antes ou depois
Só o agora.
O infinito do pensar.

Outono


Olhos fardos,
Azuis e negros.
Empoeirando sonhos felizes,
De outono ou inverno.
Espirando liberdade
Sentindo o infinito.

Sonho Lúcido


O primeiro adeus,
É só o começo de uma despedida.
A vida real nunca foi tão bela,
Como um sonho lúcido.

Noite Voraz


Depois foi o sono
Aumentando o desejo
Na noite voraz.
Quando despertei era claro
E a vontade devidamente alimentada.

Fim De Novembro


Nada mudou com o frio
Fim de novembro, os ramos florescem
Abandonou a chuva
Agarrou a saudade
Por dentro e por fora só desalento
E os livros antigos na prateleira,
Satisfazendo todos os desejos.

Céu Melancolico

As paredes desmoronam
tão jovem, tão frágil, tão infeliz
a palidez de um rosto na multidão
como um desconhecido sem direção
a luz do sol arruína os olhos
a droga ilícita, excitante ilusão
a cota para a dor é nostalgia em forma de canção.

Eco


Os ponteiros parecem correr
E o tempo lento, parece parar
Ecoando o silêncio 
De uma madrugada vazia
Em vão, a fumaça no ar.

Tarde

A tarde vai caindo
Como um viaduto abandonado
Lá fora só o caos
Aqui dentro melancolia
Tudo empoeirado
A solidão ecoa
No meio da sala,
Vazia
O disco ecoa
Melodia
Olhos na janela
Debruça e sorri
Cabelos ao vento
E tudo é além.

24 de julho de 2013

Noite e Dia

Manhã fria
Caos da mente
Ecoa alucinações
Vento que toca
Pele macia
Cabelos ao vento
Deus ou desejo
Folhas no tempo
Neve, outrora
Dias ou noite
Paixão ou gloria.

20 de julho de 2013

Aleatório

As noites, os dias
A música, o delírio, o azar
A palma da mão, os olhos fixos
O sorriso descrente, o descuido
O mundo, o sonhar
A janela do quarto, as manchas na camisa
O batom, o reflexo
O cigarro, a queda
O alheio, o opaco
O belo e irreal.

Des (Concerto)

De só esperar sol
sustenido ficou bem mal
ficou sem aspirar
e bemol de só, sorrir só
ficou só e deu dó
nas notas músicas