25 de julho de 2014

O medo do ridículo

O medo do ridículo é um medo infundado 
Não é necessário esconder o ridículo do ser, de cada ser, do simplesmente ser 
Só quem mostra sem mascaras progride com a dignidade
No fundo as almas são todas iguais
No fundo os receios são todos em vão
No fundo há vida, mas há também a falsa impressão de que é tão rasa
No fundo o equilíbrio é o segredo
No fundo uma dose pequena de loucura é fundamental.

22 de julho de 2014

Das coisas da vida

Da vida não carrego as coisas levianas
Tão pouco as amarguras da solidão
Levo a paisagem, os bosques
A serenidade
A natureza sublime que se alterna
Entre as coisas divinas
Levo os gestos discretos
A gargalhada escancarada
Os olhares inquietos
Levo os abraços acolhedores
E as mãos que tateiam por amor
Levo a visão de uma jovem vagando
O azul, cor de mar
Ou o céu de estrelas prateadas
E levo até o trem, a fumaça
Levo os musgos e as fontes
Levo o belo de cada ser

Em uma praia deserta
Os pés na areia
Como um quadro de Van Gogh
O sorriso espontâneo de uma criança
O afeto de uma mãe e de um filho

Camuflar

Vou me camuflando em melancolia
no mundo que desconheço,
nas pausas do meu silêncio.

Poesia

A alma inquieta,
se manifesta na poesia
nas entrelinhas das palavras
que sussurram cordialmente
o eco da vida.

Van Gogh

Coração de artista
É um rabisco inquieto
Ora calmo
Ora intempestivo
Das veias que correm
Da linha reta
Van gogh corta a orelha
E o surto de poesia inicia
Sonhos infernais
Resquícios de outrora
Herdei dos ancestrais
Das noites em ópio
E dos sorrisos intocados
Nas dores irreparáveis do tempo

Madrugada

A madrugada é como
um corredor vazio
onde nossos pensamentos
fazem eco.


Vulnerável

Ás vezes a maré sobe
ás vezes o barco não vai
ás vezes o rio é para peixe
ás vezes é a chuva que cai
assim é a vida
tempestade e sol
porto e cais
nem só de meio-termo
nem só de coisas banais.