21 de novembro de 2014

Retrato Póstumo

Escrevo para desnudar a alma
Para contar uma ou outra noite solitária
Num quarto pouco iluminado
Para expor toda mágoa e todo desejo
Não de uma forma inanimada, profana
O retrato póstumo de Oscar Wilde na parede
Empoeirada, intrigante é a aparência 
Pele e movimentos sutis
Roupas e mentalidade dos ancestrais
Ar entre aspecto
Tal desvario, não dito o ritmo



17 de novembro de 2014

Vida e glória - Devaneio de duas páginas

Virginia Wolf contempla o rio Ouse
E entre as ruas, algum personagem de Dostoiévski
caminha abalado
No barco embriagado
Algum poeta visionário como Rimbaud
Permanece extasiado pela vida
Beethoven ou Schumann continuam na iminência da loucura
Chopin eternizando na perfeição e sensibilidade de cada nota 
Na noite, um boêmio como Henry Miller
Abraça Paris com todo seu desleixo e rebeldia
Até mesmo Hemingway
Vivia na miséria, mas como um rei
Pelo café de flore vago com Sartre e Beauvoir
Discutindo toda a existência 
Não, não ousaria, Anais Nin
Com toda sua coragem e força
Nem Van Gogh com todo seu talento e fracasso
Os ecos de Camille Claudel clamando por Rodin ainda soam
Mártires do próprio tempo, loucos e boêmios
Poetas, profetas, profanos e santos
A gloria está em saborear a vida com todos os talheres.