21 de julho de 2015

Poema (sem rimas)

Não me importo com as rimas. Raras vezes
Há duas árvores iguais, uma ao lado da outra.
Penso e escrevo como as flores têm cor
Mas com menos perfeição no meu modo
                            de exprimir-me
Porque me falta a simplicidade divina
De ser todo só o meu exterior

Olho e comovo-me,
Comovo-me como a água que corre quando
                             o chão é inclinado,
E minha poesia é natural como
                             o levantar-se vento…

Fernando Pessoa, De Poemas de Alberto Caeiro