23 de novembro de 2015

22 de novembro de 2015

Palpável

Na imagem trêmula, na nudez da alma
nos gestos mais sutis, imperceptíveis,
é você que vejo, na paz dos casais que caminham
no fim de uma tarde
você nos pássaros do céu azul, nas folhas no vento
na areia minuciosa da praia
é você que vejo na mulher solitária em uma noite chuvosa
na boemia, despretensiosa, sorridente
é você que vejo nas teclas empoeiradas de um piano
é você que vejo no prazer e na dor do esquecimento
é você que vejo na desconhecida e na familiar 
é você no desvencilhar-se do tempo
no desvencilhar-se dos corpos
e quando os sonhos adormecem e os olhos despertam
ordenados pela manhã que inicia
percebo que nenhum abraço é mais acalento
no entanto, é você que vejo.

Epílogo