9 de dezembro de 2015

Dos prazeres da vida

Na vidraça das janelas, no estalar dos dedos
no enigmático olhar,
no convincente palavreado
nas abandonadas vielas,
nas crenças mais desmedidas
no folhear das páginas dos livros mais antigos
e empoeirados da biblioteca, na brandura do vento
e do tempo
eis que tú ali estás.

Do desejo

Tal ordem, tal forma,
tal circunstância
irada e obsessiva, obscena
tal qual o desejo de Hilda Hilst
louca e santa
tal qual o poema de Adélia Prado
anjo esbelto transfigura-te
faminto é o desejo
desejo de vida, pungente é a vontade.