26 de março de 2016

Epifania do Adeus

Onde há o brilho e a lembrança
de uma lembrança
de um sorriso, ali está
El secreto de
sus ojos
onde há luz, memória e sombra
ali está
El secreto de
sus ojos
Onde há o toque exímio dos dedos
no rosto suave
e nas notas de um piano
a mesma mão que acena um adeus
ali, há vida
em todo seu equívoco e plenitude.

Seção poética

Amo as horas noturnas do meu ser em
que se me aprofundam os sentidos
nelas fui eu achar, como em cartas velhíssimas,
já vivida a vida dos meus dias
e como lenda longínqua e superada.
Delas eu aprendi que tenho espaço
para uma segunda vida, vasta e sem tempo.

E por vezes me sinto como a árvore

que, madura e rumorosa, sobre uma campa
realiza o sonho que o menino foi
(em volta do qual apertam suas raízes quentes)
e perdeu em tristezas e canções.

Rainer Maria Rilke em Poemas, As elegias de Duíno e Sonetos a Orfeu. 
Tradução Paulo Quintela.



O consolo

Proclama em voz alta na solidão, no marasmo da noite
tudo aquilo
que te faz sorrir
proclama em voz alta contra os muros do pensamento
muros sombrios 
proclama o amor que arde no peito e o que eleva os sentidos 
proclama até que baste o ar e a poesia:
desespero haverá de findar.

Seção cinematográfica

Como se faz para viver uma vida vazia?
Como se faz para viver uma vida cheia de nada?
El Secreto de Sus Ojos
Dir. Juan José Campanella, 2009