7 de maio de 2016

Tormenta e Glória

Paris é um festa alertava, Ernest Hemingway,
no espaço entre sua tormenta e glória
tristeza faz moradia em qualquer lugar num buraco fétido
ou no castelo monumental
o diamante não tem brilho algum e o valor fez-se inútil
a tristeza está na alma,
mil anos na miséria compensariam mais
quando o amor é que reina
concluo então,
que algumas taças de vinho na solidão são mais eficientes
do que o confronto mórbido com a realidade
e o tempo.
Felicidade é tal como um vaga-lume
ilumina e apaga,
tal como os breves momentos de encorajamento e vigor
tal como essa mesma ilusão que como uma linha
tênue me pendura
entre a sobriedade e a loucura
sem amor a coroa torna-se insignificante para o rei.

Dos Rios para o Mar


Liberdade

Por vezes, à beira-mar, no perpétuo movimento das águas e no eterno fugir do vento, sinto o desafio que a eternidade me lança. Pergunto-me então o que vem a ser o tempo, e descubro que não passa do consolo que nos resta por não durarmos sempre.
Que é do mar se os rios se recusam? Estou, afinal, perto do mar e da sua ciência. Ninguém pode exigir ao mar que traga todos os barcos, ou ao vento que encha todas as velas. 

Tem confiançaa noite não é mais que um momento de trevas entre dois dias.

Stig Dagerman  | Em a nossa necessidade de consolo é impossível de satisfazer

6 de maio de 2016

Intempérie

Na busca incessante de sentido
o tempo corre desenfreado,
ponteiros giram absolutos
a vida passa, gasta como as solas dos sapatos
o corpo repousa

O tempo não tem a mesma permissão
assim caminha a tempestade, em seu regresso
que logo reina
a náusea da monotonia
distante o sol desponta em outro canto, são outros sonhos
outras vidas.

E eu permaneço no café da cidade
contemplando as marcas de suor nas vidraças
e as mãos estendidas nas folhas em branco
fitando o indecifrável, na solidão
com a súbita vontade de andar sem rumo
por estradas sem fim.