18 de outubro de 2016

A mão e a luva

Fechando o punho, coração a toda prova, 
A palpitar, nas noites tenebrosas dos amores febris
Cada adeus é um golpe, punhal cravado no peito
O amor é traiçoeiro assim como as paixões
assim como a solidão
Contemplo tanto o abismo, como a exaltação

Uma canção familiar, um sorriso negligente
uma carta antiga com caligrafia desleixada
o aroma das flores de outono, o perfume tão peculiar

As mãos que jamais tocaram o rosto vulnerável
destacados por olhos melancólicos e indomáveis
os pés que jamais tocaram a areia, o mar
o sonho desfeito, perigosa recordação
é o suficiente para rasgar um coração
o suficiente para fazer o mais severo dos homens desmoronar.

16 de outubro de 2016

O sol também se levanta

O gesto polido, elegante, de afável ternura
Jamais fadado a trivialidade
Contempla a embriaguez do mesmo vinho, 
Das mesmas cores
Olhos  melancólicos de tão azuis,
Mirava o céu
Cor de mar, mar que afaga, mar que devora
Mar que repele
O sol também se levanta
Mesmo quando tudo parecer findar
E o amor desmorona na luz do dia
O sol também se levanta
Eis o acalento, o determinante consolo.