11 de dezembro de 2016

O adeus

Ás vezes é um adeus cerimonioso, 
do brotar de uma lágrima
Noutro um sorriso tímido e discreto da moça branca
como a neve
Às vezes é um adeus traiçoeiro em plena luz do dia
que transforma nosso mundo em tempestade
As vezes é aquela palavra engasgada na garganta
Que teimamos em não dizer
E fica, fica, fica assim por dizer
Num dia qualquer, amarga na solidão, no pesar do tempo
E no tiquetaquear do ponteiros
O adeus é sempre um punhal cravado no peito
E irremediável é a saudade.

Em Homenagem a Ferreira Gullar 1930 - 2016