31 de janeiro de 2017

O confronto do eu

Ás vezes é a necessidade do silêncio
abafando os ruídos cotidianos
o trafego ensurdecedor,
o carro, o cão latindo na rua ao lado

interrompendo a televisão ligada inutilmente
para distrair a solidão
com vozes alheias

a solidão é latente nas pessoas que caminham
ao redor apressadas ou sorridentes,
a voz interior desconfortável
e tão necessária,
ouvir o som da própria respiração 
pode ser o alívio
sentir a vida em todos os poros
em instantes tudo clarifica

ás vezes é a vontade de trocar de pele
de corpo
de tom de voz,
de nome e de sobrenome
cultivar só o amor
o confronto do eu
é como um filme em preto e branco, longo
demasiado
uma serie de repetições
e o que é senão a vida?
e a poesia reside ali
nessas brechas raras
naquela moeda caída no chão
que todo mundo pisa e não vê
nos corpo que colidem, se emaranham
desesperados
ou no violino que toca e os transeuntes
apressados ignoram.

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