7 de abril de 2017

Cartas de Amor do Profeta

O silêncio é doloroso, mas é no silêncio que as coisas tomam forma, e existem momentos em nossas vidas em que tudo que devemos fazer é esperar. Dentro de cada um, no mais profundo do ser, está uma força que vê e escuta aquilo que não podemos ainda perceber. Tudo o que somos hoje nasceu daquele silêncio de ontem. Somos muito mais capazes do que pensamos. Há momentos em que a única maneira de aprender é não tomar qualquer iniciativa, não fazer nada. Porque, mesmo nos momentos de total inação, esta nossa parte secreta está trabalhando e aprendendo. Quando o conhecimento oculto na alma se manifesta, ficamos surpresos conosco mesmos, e nossos pensamentos de inverno se transformam em flores, que cantam canções nunca antes sonhadas. A vida sempre nos dará mais do que achamos que merecemos (...)
Minha amada Mary, quando a alma está mergulhada em pensamentos que mudam sempre, perdemos o poder das palavras. Mas, embora a minha lenta compreensão de Deus tenha me acompanhado por todos estes meses, nunca deixei de estar com você, e sempre tive certeza de que nós dois nos falamos através deste silêncio exterior.
Precisamos de uma companhia para conversar de madrugada, ou durante os longos passeios no parque. Mesmo distante, você tem sido esta companheira.
A dor pode ser criativa. Sejamos bem directos, e analisemos o nosso caso: sofri muito por tua causa, e o mesmo aconteceu contigo. Mas foi graças a isso que descobrimos coisas - dentro de nós - de quem nem sequer sabíamos da existência.
Algumas pessoas atingem o que há de melhor na vida usando a alegria. Outros usam o sofrimento.
Mas a maior parte dos seres humanos não se permite nem uma coisa, nem outra; então, não atingem nada, e apenas passam por esta vida.
Cartas de Amor do Profeta, correspondência de Kahlil Gibran a Mary Haskell

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